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quarta-feira, 24 de julho de 2013


Dia 24/07/2013 – 7,00 hs

 

O despertador me acorda de um pesadelo.

O sono não havia sido reparador

Enquanto tomava uma xícara de café quente, liguei a televisão e ali estavam as notícias do dia anterior e da noite.

O Papa estava no Brasil, explosão de fé e esperança  do  povo.  Depois, notícias pavorosas de morte, roubo, corrupção, um desgraçado havia matado a mãe e enfiado o corpo numa geladeira…..

O dia havia começado como sempre, sofrimentos, sofrimentos, sofrimentos.

Depois de devidamente envenenado pela televisão, lembrei-me, como não poderia deixar de ser, das sombras na noite escura.

Corri para o terraço. O dia estava chuvoso e lúgubre. A rua  movimentada pintada com inúmeros guarda chuvas. Mas nada de sombras. Somente o trivial diário.

-Estou ficando louco, pensei

Colocando minhas roupas pesadas para enfrentar a chuva e o frio sai para mais um dia de serviço.

Dia 23/07/2013 – 23,00 hs.

Não sei porque não consigo dormir.

Saio para o terraço de meu apartamento.

Um céu escuro, nublado, venta frio e uma chuva miúda molha insistentemente a paisagem lá embaixo.

Debruço-me sobre a grade de ferro que me impede que caia da altura de vinte andares e observo…….

Sombras escuras se recortam no negro da noite.

São vultos que quase flutuam se escondendo entre as árvores de um pequeno  parque  ali existente.

Se esgueiram por detrás dos bancos de madeira, entre os tronco de árvores se espremendo entre os edifícios.

Um velho cão arrastando uma das patas feridas se aventura na noite triste.

Quase ouço seu lamento dolorido a cada passo que dá.

Bruscamente uma das sombras se lança sobre o animal e suga seu sofrimento, sua agonia.

O animal se senta na calçada molhada e lança no ar um uivo  longo  e apavorante.

Um carro corta a rua suja em alta velocidade o cachorro se assusta e corre desesperado entre  as  árvores.

As sombras, agora alvoroçadas,  avançam  até ele…..

Aterrorizado volto para dentro do apartamento buscando auxilio num longo gole de vodka.

A bebida me aquece.

Procuro o abrigo das cobertas de minha cama procurando o esquecimento no sono reparador.